17/10/2016

Instantes

Somos instantes, eu sei. Só que me diz, quem é que nunca quis o infinito? Olhei, sorri e passou. Chorei, inspirei, passou. Abracei, passou. Beijei, passou. Instantes. Nada além disso. O que fica? Como vamos saber? Juramos de pés juntos, pulamos ondinhas, passamos anos falando de cada plano. Cada um deles parecia bem arquitetado, com uma estrutura que pensávamos que aquela famosa maldade do tempo, diferentemente das músicas, não conseguiria abalar. É engraçado como nos aprofundamos em algumas poças tão momentâneas e quando vemos que não tem mais para onde ir, que já foi, passou, dá aquela sensação de querer que durasse mais. Somos instantes. Quem é que queria isso? Quem é que não queria? Conhecer, não conhecer mais, sair, não sair mais, rir, não rir mais, gostar, não gostar mais, abraçar e quando menos se espera, não abraçar mais. Parece que não, mas a vida vai rápido e não é só quando estamos chegando no final do ano com sensação de que tudo nem começou direito. Parece que a gente gosta de ver o tempo passar e depois observar sua rapidez, mas, e se por acaso ou por aquelas bobagens gostosas da vida, tentássemos absorver mais, gostar ou desgostar, rir ou chorar, abraçar ou beijar, ficar ou ir embora, sem medo de encontrar poças ou mares por aí? Não sei. Somos instantes, particulares, esperando talvez uma chance do gosto do infinito, que imagino eu, só chega para quem não espera.

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