22/01/2016

Só hoje

Hoje eu só quis te ouvir. Sentar do seu lado e ouvir seus mais pesados desabafos. Eu sei, sempre fui de ouvir muito, mas em diversas situações, sei também que já esbanjei alguns conselhos clichês. Dessa vez, eu não quis fazer diferente, eu senti que precisava. Como uma necessidade que nasce sem explicação alguma. Até queria ter falado mais, soltado algum clichê, nem que fosse “você merece mais que isso”, mas simplesmente não deu. Não precisamos mais disso. Observei você, desmontar-se pouco a pouco, no seu próprio tempo, para te ajudar a se reerguer. 

Optei por respeitar o que poucos de nós respeitam, que é justamente esse tempo. A dor conta com ele, não se preocupa, ela não chega de forma muito educada, mas já chega com a promessa de se retirar. E ela vai embora, eu sei que vai. Um dia irá de você, de mim, de todos nós e ela voltará, mas quem quer saber? Em meio a tanto caos, em inúmeros momentos, você foi minha paz. Eu poderia ter chorado junto, gritado, batido o pé no chão e reclamado junto, mas preferi o abraço, preferi o silêncio e até umas tentativas de causar riso. A questão é que, às vezes, não se trata em passar por coisas ruins ou não, o número delas, mas sim de como você fica submerso em meio a tudo isso e quem está lá por você.

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