Tente o impossível

Ver o senso comum sendo quebrado pode não significar algo ruim, sem dúvida alguma, principalmente quando ele se trata da visão de muitas pessoas em relação a população de regiões menos favorecidas. Tive a ótima oportunidade de entrevistar alguém que se encaixa nessa situação, é o caso de Gustavo Torres, de 17 anos, morador do Capão Redondo (região periférica de SP), que foi admitido em Stanford University e também aguarda a resposta de outras universidades. Gustavo conta que há dois anos, quando recebeu um e-mail falando sobre uma oportunidade de intercâmbio em Yale, no qual teria que concorrer com pessoas do mundo inteiro, chegou a se questionar sobre quais seriam as chances de um cara do Capão Redondo conseguir, mas felizmente ele tentou, se dedicou e a partir daquele momento, mudou sua forma de enxergar o potencial que tinha. Felizmente, ser do Capão não era mais considerado uma barreira e sim motivo de orgulho.  "Do Capão para o mundo”, é o que ele costuma dizer.

Com uma trajetória cheia de determinação, Gustavo já conta com muitas conquistas, seus esforços não estão só beneficiando sua vida, mas também a de outras pessoas, que acabam sendo inspiradas e tendo também a oportunidade de aprender muito com ele. Além de tudo o que foi citado, Gustavo é cofundador do Descobrindo o Sonho Jovem, um projeto que criou com seu amigo João Araújo, com a proposta de desenvolver atividades para ajudar os jovens a descobrirem seus propósitos de vida e inspirá-los a ter grandes sonhos. Não só o João, mas muitas outras pessoas fazem parte do grupo de colaboradores dessa jornada, entre eles estão seus pais que deram apoio para estudar; o Ismart (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos), que deu bolsa de estudos para ele em uma ótima escola, além também de ter apresentado a pessoas muito inspiradoras que estavam mudando o mundo; a professora Andreia, que o inscreveu no Ismart e também contribuiu para outras coisas; Carolina Ramalho, analista do Ismart que apresentou Gustavo ao empreendedorismo, além deles, contribuíram também a EducationUSA e a Fundação Estudar, que pagaram custos, traduziram documentos e deram orientação para as aplicações para faculdades americanas.

Vale lembrar também que as vezes alunos da rede pública se sentem limitados por suas condições, mas exemplos como o do Gustavo que estudou alguns anos em escola pública e de tantos outros estudantes que buscaram ir atrás de mais, nos mostram que é possível fazer a diferença. Quando questionado sobre seu ponto de vista em relação a educação pública, ele diz o seguinte:

“Não preciso ficar repetindo que, salvo algumas exceções, a rede pública não oferece uma estrutura de ensino muito boa. Nesse contexto, a gente tem duas opções: cruzar os braços e ficar reclamando ou tomar atitude para resolver o problema. Um aluno de escola pública tem que se esforçar 10x mais para alcançar um aluno de escola particular. Não é fácil, mas é possível. E, para sonhar mais alto, é sempre importante procurar boas referências. Tem crescido muito a quantidade de material que propaga inspiração. O livro Jovens Falcões e as páginas da Fundação Estudar são ótimos lugares para encontrar histórias de gente que fez coisas incríveis vindo de um contexto não favorável. Sei bem como é periferia e sei que é difícil, mas acredito que tudo é possível a partir do momento em que se toma atitude."

Geralmente, quando olhamos para histórias assim, nos inspiramos muito, mas sei que inúmeras vezes nos limitamos a apenas admirarmos ou imaginarmos como seria passar por esse tipo de conquista. No entanto, já pensou o que aconteceria se você se arriscasse apenas a tentar? Aproveitando um pouco da resenha de ontem sobre o livro do Felipe Neto, ele fala algo interessante a respeito disso: “As pessoas são muito medrosas, têm medo do julgamento, da taxação e por isso ficam aradas. Poucos arriscam. Aliás, se eu vejo uma diferença entre pessoas que realizam coisas e pessoas que só passam pela vida fazendo o básico, é exatamente essa: a ausência do medo em arriscar e a luta contra a preguiça. “ É justamente disso que se trata, tentar, ninguém está dizendo que isso é fácil, mas é o primeiro passo essencial, ter tanta vontade e não fazer nada a respeito é realmente penoso. 


.Para finalizar, fica uma dica do Gustavo!

"Durante muito tempo eu pensei que não podia alcançar meus sonhos, me colocava limites. Um dia percebi que, se não tentasse, não alcançaria mesmo. Por outro lado, se tentasse, teria uma chance. A partir daí, comecei a tentar várias coisas. Mas não pode tentar mais ou menos; tem que tentar de verdade, como se a única opção fosse conseguir. Tem que ir para o "tudo ou tudo". Deixo esse conselho: sonha alto, vai lá e faz. Se não der certo, pelo menos você vai ter aprendido com o erro e vai aumentar as chances de acertar na próxima."


(Fica também novamente um obrigada ao Gustavo e também a Julia, minha prima que colaborou bastante para que a entrevista fosse feita. Vale a pena conferir o blog do Gustavo, onde muitas coisas interessantes são postadas, envolvendo foco nos estudos, planejamentos, dicas, estudar no exterior e muito mais. Clique aqui para acessar a página do DSJ no facebook.)

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