Finais

Era a rotina, estava tudo certo, alguns deslizes aqui, ganhos ali, uns sorrisos frouxos, olhos marejados para lá, respiração mais funda para cá. Faz parte. No meio disso, alguns pensamentos mais loucos fazem com que andar de metrô seja transformado em um puro momento de reflexão. Claro que isso acontece depois de alguns empurrões e vacilos de segurar bem a mochila. Sem contar o esforço para ficar em pé, sem parecer que está surfando. Um dia desses, o foco das indagações ficaram para os finais. 


Qual é o tipo de final super aceitável, fácil de superar? Qual é o tipo de laço, que quando é quebrado, leva as pessoas ao ponto de cruzarem na rua e nem expressarem algo? Puff. Acabou tudinho, agora lhe apagarei magicamente de tudo, sem mais um piu. Como faz? Olha, chegar a isso, sinceramente muitas vezes é algo natural, mas em outros momentos, te deixa com uma pulga atrás da orelha se perguntando como tudo acabou assim. Levando em conta que cada um desempenha seu papel e possui com suas particularidades, é meio óbvio não ter um padrão e seria particularmente estranho aceitar com a mais bela leveza cada um dos finais de grandes laços. 


Claro que tem gente que consegue, a gente se pega às vezes lidando bem com as coisas, ou melhor, deve ter gente que é assim, não é? A questão é que realmente, em alguns casos (ou em vários deles) é difícil aceitar alguns finais, deixar ir, aceitar que foi ou realmente não falar nem um “Oi” naquela cruzada na rua. Pior ainda, é querer estar e não poder. Ter dia após dia a saudade como sua mais fiel parceira, te levando a se perguntar o que você faria se você soubesse que era a última vez. O último “oi”, o último “vai dar tudo certo”, o último beijo, abraço, carinho, olhar ou sorriso.


Por essas e por outras que dizem que “E se?” é uma pergunta que pode acabar sendo muito cruel, mas vale lembrar, com uma notinha mental, que não desempenhamos um grande poder com certas coisas, controlamos o que dá e algumas pessoas tentam até mesmo fazer isso com o que não dá. De qualquer forma, uma hora ou outra, o papel de alguém na sua vida ou até mesmo na própria vida dele, chega o fim. Quer ele tenha te marcado ou não. Quer você tenha falado tudo o que gostaria ou não. Quer você realmente tenha vontade de que tudo fosse diferente ou não.

Nem sempre chegar ao fim significa perder algo, às vezes, trata-se somente de uma boa oportunidade de recomeçar, ou seja, finais não são de todo o mal. Muito pelo contrário, em certos casos, são absolutamente necessários e o caminho mais certo a se seguir. Fechar um ciclo, abrir outro, mas sem deixar escapar cada uma das experiências e aprendizados.

Finais fazem parte do dia a dia e não deveríamos esperá-los para darmos mais valor aos começos, aos meios, aos minutos e aos segundos. Certa vez, li que algumas pessoas se preocupam mais com o último degrau do que com cada passo que ela vai dar para chegar até ele. Sendo que quando você for lembrar de um final, são esses passos, são esses degraus que muitas vezes você deixou passar tão indiferentemente que serão lembrados.

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